Jornalista protesta contra atendimento da PM

Em seu perfil no Facebook (aqui), o jornalista Bruno de Oliveira Sales protestou contra o atendimento do telefone de emergência da Polícia Militar (PM).

Bruno disse que no final da tarde de ontem (19) viajava na SP-250 (Pilar-Piedade) quando próximo ao Bairro da Paineira deparou-se com um acidente onde um motoqueiro estava caído, no meio da rodovia, e desmaiado. Outros motoristas também haviam parado para socorrer o rapaz e sinalizar a rodovia. Como o celular não funcionava no local, Bruno se dispôs ira até a Paineira, onde, às 18h, ligou para a PM de Pilar do Sul e comunicou o que havia acontecido.

Segundo Bruno, o policial que lhe atendeu disse que estaria tomando as providências. Bruno, então, voltou ao local do acidente e tranquilizou a todos que o socorro já estaria a caminho e continuo a sua viajem.

Como no trajeto não cruzou com a viatura e nem ambulância, chegando em Pilar do Sul Bruno resolveu ir até o destacamento da PM reforçar o pedido. Lá chegando Bruno conta que o policial militar que lhe atendeu disse “que não era responsabilidade da PM atender acidentes em rodovia e que o atendimento seria feito primeiramente pela ambulância (que até aquele momento não tinha ido ao local) e que acidentes em rodovia  é de responsabilidade da Polícia Rodoviária”.

A indignação do jornalista aumentou, conta, porque às 18h45m, ao passar pelo centro, encontrou uma viatura da PM realizando bloqueio de trânsito. Diante disso Bruno escreveu o texto com o título “PROTESTO - A Polícia que se quer e a polícia que se tem” e publicou na internet relatando o ocorrido e demonstrando toda a sua indignação.

Imediatamente várias pessoas comentaram o texto inclusive o sargento Osvaldo Francisco Pinto, comandante  da PM, que disse que tomaria providência para apurar o ocorrido e que “provavelmente será aberto pelo Comando do Batalhão uma investigação preliminar para apurar os fatos e, caso constatado que o policial tenha cometido um erro profissional com certeza será punido”. O sargento Osvaldo explicou a PM tem jurisdição sobre as vias urbanas enquanto que a Polícia Rodoviária tem jurisdição sobre as rodovias.

A reportagem do Blog do Sérgio Santos apurou junto ao atendente da Santa casa que a ambulância foi acionada e saiu da Santa Casa às 19h10m. Chegando ao local, cerca de 1h30m depois do acidente, o rapaz já não estava mais lá. Ele tinha guardado a moto numa casa e já tinha ido embora.

O atendente da Santa Casa não soube explicar quem acionou a ambulância, se a PM ou populares, já que outro atendente, que, com a mudança de turno, já tinha ido embora, era quem estava no atendimento telefônico da Santa Casa.

O atendente informou que, pouco depois que a ambulância retornou da Paineira, o rapaz deu entrada na Santa Casa socorrido por um amigo. O atendente informou também que o rapaz sofreu escoriações de natureza leve, tinha sido medicado e que não corria risco de morte.

Leia na íntegra o protesto do jornalista *Bruno Sales, publicado no Facebook:

A Polícia que se quer e a polícia que se tem

Sempre fui defensor das forças legalmente constituídas, como é o caso da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que muitos feitos valorosos têm em sua história, mas enquanto cidadão e jornalista, não posso deixar de registrar o lamentável episódio do qual fui testemunha no dia 19 de fevereiro.

Transitando pela SP-250 (Piedade-Pilar do Sul) me deparei com um acidente com um motociclista que tinha ocorrido a alguns instantes(17h55). Assim que paro para levar ajuda outros motoristas também são solidários e também ajudam sinalizar, tentam em vão usar o celular para pedir socorro. No local não existe sinal de telefonia e o motoqueiro está muito ferido, caído no meio da rodovia. Vou até o bairro da Paineira, 1 km do local do acidente, e procuro um telefone público. Depois de algumas tentativas, o destacamento de Pilar do Sul atende a ligação (18h). São passadas a informações do local do acidente, das condições de saúde da vítima entre outros detalhes. O PM que atendeu a ligação informa que estaria tomando as providências.

Retorno ao local do acidente, tranquilizo os outros motoristas solidários de que a “policia” já viria atender a ocorrência, inclusive com uma ambulância. O motoqueiro já voltou à consciência, pois ficou desmaiado por 10 minutos, segundo os motoristas que estavam no local dando apoio. A vítima tinha muitos ferimentos pelo corpo e escoriações na face e era visível o nariz quebrado.

Avisei que seguiria viagem até Pilar do Sul e estaria atento se encontrasse a viatura e a ambulância prometida durante a ligação ao “190 - o telefone para emergências”. O trajeto do local do acidente dura 25 minutos e até chegar na cidade não encontramos com o socorro emergencial. O bom senso e o faro jornalístico fizeram passar pelo destacamento da PM. Em conversa com os dois militares de plantão fui informado que não era responsabilidade da PM atender acidentes em rodovia que o atendimento seria feito primeiramente pela ambulância (que até aquele momento não tinha ido ao local). Que acidentes em rodovia era responsabilidade de Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo.

Com absurda explicação - já que durante meus 43 anos sempre aprendi e fiz questão de ensinar a todos que ao ligar ao “190” teríamos o apoio emergencial da polícia que queremos, enérgica, ativa, dinâmica e presente – questionei o PM como ficava a vítima no local do acidente, sem socorro e se ela morresse? – “Senhor, este é o procedimento, é assim que funciona”, ouvi incrédulo.

Sai do destacamento e fiz questão de passar pelas ruas centrais da cidade para localizar a outra viatura da PM e facilmente encontrei às 18h45 - quase uma hora depois do comunicado do acidente na rodovia – fazendo um “bloqueio” de trânsito na praça central. Não restou alternativa para minha indignação com o descaso com a sociedade, com a vida, do que pude presenciar neste final de semana e escrever este texto.

Não tenho vergonha em dizer, que enquanto cidadão, isto me envergonha muito, mas ainda tenho fé e esperança que este episódio não reflita a orientação e o valoroso trabalho prestado pela Corporação.

Só resta aqui agradecer os motoristas anônimos - assim como eu - interromperam sua viagem de lazer e ficaram sinalizando, resguardando o local do acidente, tranquilizando a vítima. Todos na crença que em algum momento a polícia e a ambulância apareceriam até o local.

Espero que apesar da decepção que eles também devem estar sentindo, continuem acreditando que em algum momento o “190” sirva para as emergências.

Hoje percebi que existe um grande abismo entre a polícia que se quer e a polícia que se tem.

Com a palavra, a burocrática PM. (Só espero que para prestar contas à sociedade também não leve o tempo que o 190 demora para atender os anseios da população).

*Sobre o autor: Bruno de Oliveira Sales é formado em comunicação social, bacharel em história e atua como consultor em comunicação corporativa e especialista em redes sociais.
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Sobre Sergio Santos

Jornalista, radialista e publicitário. MTB 51.754/SP.
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