Pilar do Sul recebe no domingo o espetáculo América Vizinha no Escarafunchar

Peça é a pri­meira mon­ta­gem do grupo Los Cuca­ra­chos, com dire­ção de Juli­ana San­ches. Cole­tivo foi cri­ado a par­tir de pro­jeto do Grupo XlX de Tea­tro. A apre­sen­ta­ção faz parte da pro­gra­ma­ção da IV Mos­tra de Tea­tro de Pilar do Sul

Ima­gine che­gar a um pequeno vila­rejo e encon­trar Frida Kahlo, Car­los Gar­del, Evita Perón,  Pablo Neruda, Vio­leta Parra e tan­tas outras figu­ras emble­má­ti­cas da cul­tura latino-americana, jun­tas mesmo lugar! É isso que acon­tece quando o público entra na atmos­fera do espe­tá­culo Amé­rica Vizi­nha, mon­ta­gem do núcleo de pes­quisa Los Cuca­ra­chos, do Grupo XIX de Teatro.

A cidade de Pilar do Sul recebe o espe­tá­culo dia 29 de março, domingo, às 19h30, no Espaço Esca­ra­fun­char, na Rua Pro­fes­sor Elói Lacerda, 1091. A peça inte­gra a pro­gra­ma­ção da IV Mos­tra de Tea­tro de Pilar do Sul — que come­mora os 10 anos do Grupo Esca­ra­fun­char e 1 ano do espaço do grupo.

Con­tem­pla­dos com o edi­tal do Proac Pri­mei­ras Obras, Amé­rica Vizi­nha é resul­tado de um dos núcleos de pes­quisa que o Grupo XIX de Tea­tro desen­vol­veu em sua sede na Vila Maria Zélia (Zona Leste de São Paulo), em 2014. Com dire­ção de Juli­ana San­ches, estão no elenco Amil­ton de Aze­vedo, Bruno Piva, Daniel Viana, Débora Ribeiro, Denise Spe­ran­delli, Gabi Costa, Juan Manuel Tel­la­te­gui, Luisa Dal­ga­lar­rondo, Maria Caro­lina Dres­s­ler, Rosana Bor­ges Silva, Tati­ana Ribeiro, Thai Leão, Vanessa Can­dela e Vini­cius Brasileiro.

Ins­pi­ra­dos pela obra “O Século do Vento” do escri­tor uru­guaio Edu­ardo Gale­ano, os 14 ato­res do grupo permitiram-se nave­gar pelas his­tó­rias lati­nas do século pas­sado. Afe­ta­dos pelas his­tó­rias e lutas que mar­ca­ram tan­tas vidas e obras, os artistas-criadores se lan­ça­ram nessa via­gem sur­real, pro­cu­rando che­gar mais perto de nos­sos vizi­nhos. “É uma busca, um pro­cesso de reco­nhe­ci­mento de nossa pró­pria his­tó­ria, no outro, no vizi­nho aqui do lado, depois do rio, o outro lado da janela”, fala a dire­tora Juli­ana Sanches.

Durante o pro­cesso de mon­ta­gem todos pude­ram criar cenas, que pos­te­ri­or­mente foram dimen­si­o­na­das dra­ma­tur­gi­ca­mente para com­por a peça. As his­tó­rias foram sur­gindo mes­clando os tem­pos cro­no­ló­gi­cos e paí­ses, che­gando assim num povo­ado fic­tí­cio: San Pue­blo Exi­lado. Nele habi­tam per­so­na­gens como Frida Kahlo, Che Gue­vara, Car­los Gar­del, Evita Perón, Pagu, Del­mira Agus­tini, Vio­leta Parra, Pablo Neruda, Alfon­sina Storni, José Orozco e tan­tos outros anô­ni­mos e célebres.

“Come­ça­mos bem ampla­mente com o assunto e, quando che­ga­mos no livro de Edu­ardo Gale­ano, encon­tra­mos um ponto de par­tida rico, pois trata-se de his­tó­rias reais da Amé­rica Latina do século 20, fic­ci­o­na­das pelo autor. Par­ti­mos daí e cri­a­mos nossa pró­pria fic­ção”, conta a dire­tora sobre o pro­cesso de criação.

Esta cidade inven­tada é base­ada no ima­gi­ná­rio cri­ado pelo escri­tor colom­bi­ano Gabriel Gár­cia Már­quez (1927/2014) em diver­sos de seus con­tos e roman­ces. Todos os habi­tan­tes pare­cem se conhe­ce­rem, todos comen­tam a vida alheia e cons­tan­te­mente vivem situ­a­ções reais que pare­cem inve­ros­sí­meis. “Pri­o­ri­zei as figu­ras icô­ni­cas que temos em nossa Amé­rica, assim como toda a his­tó­ria com­plexa e sofrida que vive­mos até hoje”, com­pleta Juliana.

Os per­so­na­gens se reve­lam no decor­rer da peça, con­tando his­tó­rias pes­so­ais e recons­truindo fatos his­tó­ri­cos nos quais viven­ci­a­ram como guer­ras, revo­lu­ções, pri­sões, erup­ções de vul­cões, mani­fes­ta­ções, fes­tas e cul­tos religiosos.

Sobre a encenação

A ence­na­ção uti­liza três recur­sos cêni­cos recor­ren­tes: exe­cu­ção ao vivo de músi­cas da cul­tura popu­lar latino-americana, repro­du­ção de ima­gens está­ti­cas que reme­tem aos murais mexi­ca­nos (obraas de arte repre­sen­ta­das prin­ci­pal­mente por Diego Rivera, David Alfaro Siquei­ros e José Orozco) e tre­chos da bio­gra­fia de Miguel Mármol.

Um personagem-narrador, ins­pi­rado no revo­lu­ci­o­ná­rio sal­va­do­re­nho narra seus diver­sos “nas­ci­men­tos”, isato é, momen­tos de sua vida que esteve muito pró­ximo da morte e esca­pou. Seus rela­tos entre­meiam a peça fazendo com que Miguel Már­mol se torne uma metá­fora da pró­pria Amé­rica Latina, por estar sem­pre ame­a­çado por um ani­qui­la­mento imi­nente. As nar­ra­ti­vas da ence­na­ção são, por mui­tas vezes, sur­re­ais, assim como a his­tó­ria da Amé­rica Latina mostra-se, por diver­sas vezes, pouco crível.

Por meio dessa cole­ção de his­tó­rias, o espe­tá­culo levanta ques­tões acerca das rela­ções polí­ti­cas e cul­tu­rais man­ti­das até hoje: a desa­pro­pri­a­ção dos ter­ri­tó­rios indí­ge­nas e a des­va­lo­ri­za­ção da sua cul­tura, o pre­con­ceito racial con­se­quente da escra­vi­dão, o papel da mulher na his­tó­ria da Amé­rica Latina e as rela­ções de gênero per­pe­tu­a­das por um sis­tema patri­ar­cal, a domi­na­ção euro­peia e norte– ame­ri­cana, ques­tões pós-colonialistas e rela­ções de iden­ti­dade cultural.

Cená­rio e figurinos

A con­cep­ção do cená­rio par­tiu da ideia de vizi­nhança e coloca o público den­tro de uma vila. Ao entrar no espaço cênico a pla­teia vê uma placa escrita “bien vindo a San Pue­blo Exi­lado”. De maneira sim­bó­lica, a vila é repre­sen­tada por casas onde vê-se as cor­ti­nas com por­tas e jane­las. A con­fi­gu­ra­ção des­sas casi­nhas se trans­forma a cada cena. Em um dado momento, todos estão den­tro de suas casas, com as cabe­ças para fora falando de um caso qual­quer, con­tando novi­da­des coti­di­a­nas. Em outro momento, as casi­nhas se afas­tam, e o espaço que antes era externo e público se trans­forma em um bar, ou o que era rua se trans­forma em um ambi­ente fechado.

O cená­rio colo­rido lem­bra uma pequena vila, um lugar onde todos os per­so­na­gens, mesmo que de épocas dife­ren­tes, se mis­tu­ram, se reco­nhe­cem, se unem e se alfi­ne­tam uns aos outros. Obje­tos uti­li­za­dos em cena ficam pen­du­ra­dos em varais mis­tu­ra­dos a rou­pas que pare­cem secar. Explora-se o plano alto, sobe-se em esca­das, escalam-se pilastras.

O figu­rino é mais sóbrio e em tons neu­tros. Saias, com o mesmo estilo, reme­tem ao popu­lar. Todos usam aven­tais, uma refe­rên­cia ao tra­ba­lho, o arte­sa­nal, o bra­çal. Blu­sas, cami­sas e ade­re­ços com­pra­dos em bre­chó dão um tom mais colo­rido e solar em algu­mas cenas.

Ficha téc­nica:

Dire­ção: Juli­ana San­ches. Assis­tên­cia de dire­ção: Tati­ana Ribeiro. Dire­ção musi­cal: Matias Nuñes. Atores-criadores: Amil­ton de Aze­vedo, Bruno Piva, Daniel Viana, Débora Ribeiro, Denise Spe­ran­delli, Gabi Costa, Juan Manuel Tel­la­te­gui, Luisa Dal­ga­lar­rondo, Maria Caro­lina Dres­s­ler, Rosana Bor­ges Silva, Tati­ana Ribeiro, Thai Leão, Vanessa Can­dela e Vini­cius Bra­si­leiro. Músico con­vi­dado: Matias Nuñes.  Cená­rio: Maria Isa­bela e Michel Fogaça. Figu­ri­nos: cri­a­ção cole­tiva. Assis­tên­cia de Figu­rino: Gabi Costa. Pro­du­ção: Vanessa Can­dela, Luisa Dal­ga­lar­rondo, Denise Spe­ran­delli e Amil­ton de Aze­vedo. Ilus­tra­ção: Jai­der Rosado. Core­o­gra­fias: Michel Fogaça e Juli­ana San­ches ilu­mi­na­ção: Michel Fogaça e Luci­ano Mor­gado. Contra-regra: Luci­ano Mor­gado. Mídias soci­ais: Maria Caro­lina Dres­s­ler. Asses­so­ria de imprensa: Adri­ana Balsanelli.

Ser­viço:

Espe­tá­culo Amé­rica Vizi­nha
Data: 29 de março, domingo - Horário: 19h30
Local: Espaço Esca­ra­fun­char - Rua Pro­f. Elói Lacerda, 1091 - Pilar do Sul.
Tele­fone para infor­ma­ções: (15)99014-0777.
Dura­ção: 90 minu­tos.
Clas­si­fi­ca­ção etá­ria: 16 anos.
Ingres­sos: Grá­tis.

Fonte: Dica de Teatro
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Sobre Sergio Santos

Jornalista, radialista e publicitário. MTB 51.754/SP.
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