Pedreiro empresta o carro, reclama roubo e é autuado por falsa comunicação de crime


O carro Peugeot 206 foi apreendido / Foto: Sérgio Santos.
Um caso no mínimo inusitado foi registrado nesta terça-feira (20) em Pilar do Sul. Tudo porque um homem que reclamou o roubo do seu veículo e mobilizou as polícias Militar e Civil, acabou autuado por falsa comunicação de crime. 

O caso teve início durante a madrugada. A então vítima, um pedreiro de 33 anos, procurou a PM para reclamar que tinha sido assaltado por dois ladrões, que lhe renderam na Praça Gabriel Válio, o fizeram de refém e só o abandonaram às margens da rodovia SP-264 (Pilar à Salto de Pirapora), levando o seu carro.

À tarde, por volta de 16h50, os PMs cabo Batista e soldado Silva Oliveira patrulhavam a área central quando avistaram o veículo roubado, que estava sendo conduzido por dois indivíduos, já conhecidos dos meios policias por tráfico de drogas. A dupla não obedeceu a ordem de parada dada pelos policiais e empreendeu fuga. Houve perseguição pelas ruas do centro e os dois foram interceptados e detidos na avenida Santos Dumont, próximo ao cemitério Jardim Acácias.

Na delegacia, os dois supostos ladrões negaram o roubo. Eles alegaram que haviam alugado o veículo por R$ 10 e que o proprietário utilizaria o dinheiro para comprar drogas.

Segundo a polícia, o caso foi muito confuso e a suposta vítima, o pedreiro, mudou a versão dos fatos por várias vezes.

Inicialmente, quando comunicou o crime, ele disse que não se lembrava do modelo e da placa do carro. Depois, por volta de meio dia, voltou na Delegacia com os dados e registrou a ocorrência. Por volta de 15 horas, chegou correndo ao destacamento da PM e disse que tinha visto o carro passar na avenida Papa João XXIII.

Mais tarde, com a prisão dos suspeitos, ele alterou a versão e disse que havia emprestado o carro para os dois amigos, mas que não se lembrava, apenas se recordando ao vê-los.

Já por volta de 19h30, ele voltou atrás e disse que havia sido assaltado por quatro indivíduos, em vez de dois.

Diante das confusas e controversas versões apresentadas, ele foi autuado por falsa comunicação de crime pelo delegado Milton Andreoli. E, como não estava em seu nome, o carro foi recolhido ao pátio do Guincho Máximo e só poderá ser retirado pela pessoa que consta no documento.

O caso mobilizou as polícias Militar e Civil até por volta de 21 horas e deixaram os policiais indignados, uma vez que eles poderiam estar empenhados em outros atendimentos e serviços em prol da comunidade.

Os três foram liberados e, a princípio, a dupla não responderá por nenhum crime. Já o pedreiro poderá ter sérias complicações com a justiça.

O artigo 340 do Código Penal prevê pena de 1 a 6 meses de detenção ou multa pela falsa comunicação de crime.
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Sobre Sergio Santos

Jornalista, radialista e publicitário. Editor responsável pelo Blog do Sérgio Santos. Registro de Jornalista MTB 51.754 / SP.
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