Quase seis anos depois, mulher acusada de botar fogo e matar ex-marido vai a júri popular


Ricardo Augusto Galvão de Souza, juiz da comarca de Pilar do Sul, marcou para 15 de março o julgamento pelo Tribunal do Júri de Tânia Michels Behn, 43 anos, acusada de incendiar e matar o ex-marido, Vanilton Coelho da Silva, então com 40 anos. 

O crime ocorreu na noite de 25 de junho de 2011, há quase seis anos, quando, segundo a denúncia, se aproveitando que o ex-marido dormia, a mulher jogou gasolina e em seguida ateou fogo (leia aqui e aqui).

Vanilton foi socorrido à Santa Casa, onde relatou que a ex-mulher o incendiou. Com queimaduras em 70% do corpo, o homem foi transferido para o Hospital Regional em Sorocaba e, posteriormente, para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde veio a falecer 17 dias depois.

Para o Ministério Público, Tania Michels Behn agiu com manifesta intenção de matar e a denunciou por homicídio triplamente qualificado: motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Tânia nunca foi presa

No dia do crime, a Polícia militar não localizou a acusada, que se apresentou na mesma noite na Delegacia de Polícia e relatou sua versão dos fatos.

Inicialmente, Tânia foi indiciada por tentativa de homicídio e, posteriormente, com a morte do ex-marido, por homicídio doloso. Mas, por ter se apresentado espontaneamente na delegacia, foi ouvida, liberada e desde então responde o processo em liberdade.

Acusada alega legítima defesa

Tânia Michels Behn e o ex-marido estavam separados, mas conviviam na mesma casa no Jardim Nova Pilar. Ela disse que Vanilton ingeria bebida alcoólica e constantemente a agredia. 

Ela contou que naquela noite chegou em casa com os filhos, na época com 6, 14 e 17 anos, e que o ex-marido se recusou a abrir a porta e que, quando abriu, não queria permitir que ela entrasse, apenas os filhos, foi quando discutiram e que ela apenas se defendeu das agressões.

A defesa da ré, exercida pelos advogados José Carlos Bachir, de reconhecida competência em julgamentos pelo Tribunal do Júri, e Anaclete Molina, pugnou pela impronúncia e absolvição sumária da acusada, nos termos do artigo 415, IV, do Código de Processo Penal, tese rejeitada pela justiça.

Denúncia do Ministério Público

Para o Ministério Público a sequência do crime foi diferente. Segundo a denúncia, a ré discutiu com a vítima, deixou o imóvel levando consigo a filha menor, e ficou esperando o ofendido dormir.

Passado algum tempo, Tânia retornou sozinha e, aproveitando que Vanilton dormia, dirigiu-se até o quarto, despejou o conteúdo inflamável sobre o corpo do ex-marido e ateou fogo. 

Com o corpo em chamas, a vítima correu, de cueca, para a rua gritando por socorro e foi amparado por vizinhos, momento em que afirmou que estava dormindo quando Tânia o incendiou.

Após o crime, de acordo com a denúncia, Tânia saiu da residência, mas logo depois voltou e apagou o fogo que consumia o quarto onde dormia a vítima.

Em seguida, e não satisfeita, passou pelo ofendido e demais pessoas e, com ironia, disse: "Era para você ter morrido, não sei como não morreu ainda".

“O crime foi perpetrado por motivo fútil, pois a ré deu cabo à vida da vítima, somente porque momentos antes se envolveram em discussão. Também o crime foi praticado por meio cruel, consistente em provocar no ofendido agudo e excessivo sofrimento, uma vez que ele teve 70% do seu corpo queimado. Por fim, o crime foi praticado com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, na medida em que ela se encontrava sozinha em casa, dormindo, e, em tais circunstâncias, não tinha a mínima condição de evitar, presumir ou impedir as queimaduras e seu resultado”, diz a denúncia do Ministério Público, que requereu a pronúncia da acusada por entender que há prova da materialidade delitiva e indícios veementes de autoria.

Pena pode chegar a 30 anos

Tânia Michels Behn será julgada por homicídio triplamente qualificado, incursa no artigo 121 (do Código de Processo Penal), inciso 2°, parágrafos II, III e IV, cuja pena é de 12 a 30 anos de reclusão. 

Sorteio dos jurados e julgamento

O sorteio dos jurados que servirão na sessão do Tribunal do Júri será realizado no dia 23 de fevereiro de 2017, às 13h30, no Fórum. 

O julgamento ocorrerá em 15 de março, às 10 horas, nas dependências da Câmara Municipal, já que o Fórum local não dispõe de plenário para esse tipo de julgamento.
Tânia Michels Behn é acusada de matar o ex-marido / Foto: Reprodução / Blog do Sérgio Santos
Compartilhar no Google Plus

Sobre Sergio Santos

Jornalista, radialista e publicitário. Editor responsável pelo Blog do Sérgio Santos. Registro de Jornalista MTB 51.754 / SP.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

1 comentários: