Por matar a ex-mulher e a nora, João Tigre é condenado a 35 anos de prisão


Júri julgou o réu culpado de duplo feminicídio, com as agravantes de utilização de recurso que dificultou a defesa das vítimas e motivo fútil

Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira (09), o Tribunal do Júri considerou o caminhoneiro João Batista Gomes de Souza (João Tigre), 53 anos, culpado de duplo homicídio praticado contra a ex-mulher, Claudelice Alves da Silva Souza, e a nora, Alessandra Gomes Vieira, com as agravantes de utilização de meio que dificultou a defesa das vítimas, motivo fútil e feminicídio (crime praticado contra a mulher por razões relacionadas à condição de sexo).

A sessão do Júri foi presidida pelo juiz Ricardo Augusto Galvão de Souza, titular da comarca de Pilar do Sul, que fixou a pena em 35 de reclusão, em regime inicial fechado.

A defesa do réu foi exercida pelo advogado Rodrigo da Silveira Camargo que postulou pelo afastamento das qualificadoras de motivo fútil, no assassinato da ex-mulher e da nora, e de utilização de meio que dificultou a defesa da vítima e feminicídio no caso da nora, alegando que Alessandra atacou João Tigre, que agiu em legítima defesa.

Em depoimento durante o julgamento, João Tigre disse que foi a casa do filho conversar com a ex-mulher, que foi surpreendido pela nora que o atacou com duas facadas. Negou ter tentado suicídio e que os ferimentos que sofreu nos pulsos e tornozelos foram feitos pela nora. Disse ainda que enquanto estava caído no chão tentando se defender da nora, foi atacado pela ex-mulher com um rodo, que “perdeu a cabeça” e golpeou as duas mulheres.

A acusação ficou a cargo da promotora Patrícia Manzella Trita que discorreu sobre as provas periciais e testemunhais contidas no processo, lembrando que as mulheres foram mortas com requintes de crueldade – a ex-mulher foi ferida com 10 facadas e a nora com 27 golpes, recomendando ao corpo de jurados, composto de cinco mulheres e dois homens, que condenasse o réu nos exatos termos da denúncia.

O advogado Rodrigo da Silveira disse que vai analisar com seu cliente se recorrerão da sentença, especificamente da dosimetria da pena. Já a promotora Patrícia Manzella disse que ficou satisfeita com a sentença.

A sessão do Tribunal do Júri foi realizada na Câmara Municipal, uma vez que o Fórum local não dispõe de plenário para este tipo de julgamento.

O crime

Segundo a denúncia, inconformado com a separação, na manhã do dia 4 de dezembro de 2017, João Tigre esperou um dos filhos sair para o trabalho e o outro para a escola, invadiu a casa do filho no Jardim Campestre II e esfaqueou a ex-mulher com 10 facadas e a nora com 27 facadas.

Vizinhos ouviram os gritos de socorro e acionaram a Polícia Militar que encontrou os corpos das vítimas e o autor trancados no banheiro. Um bebê de apenas seis meses, filho de Alessandra e neto do assassino, chorava na cama.

'João Tigre' também estava ferido. Segundo a acusação, após matar as mulheres, ele tentou suicídio, cortando os pulsos, tornozelos e tórax. Com cortes apenas superficiais, após ser medicado na Santa Casa foi conduzido à Delegacia e autuado em flagrante. Atualmente está preso na penitenciária de Tremebé-SP.

Fotos: Sérgio Santos / Portal Pilar News.


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Sobre Sergio Santos

Jornalista, radialista e publicitário. Editor responsável pelo Blog do Sérgio Santos. Registro de Jornalista MTB 51.754 / SP.
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